The Daily Telegraph – O melhor e o pior de… Mel B – “Fizemos sanduíches para Harry e William”

Ano: 2026

A ex-Spice Girl Mel B fala sobre lanches com príncipes, seu casamento no Marrocos, o encontro com Nelson Mandela e quando lhe disseram para arranjar um “emprego de verdade”

OS MELHORES MOMENTOS
Melanie Brown nasceu em Leeds, em 1975. Aos 19 anos, em 1994, respondeu a um anúncio no jornal The Stage e tornou-se a integrante “Scary” (a “assustadora”) do quinteto Spice Girls; o single de estreia do grupo em 1996, “Wannabe”, chegou ao primeiro lugar em 37 países, vendendo mais de seis milhões de cópias. Quando o grupo se separou, em 2000, elas já haviam vendido 100 milhões de discos. Entre as turnês de reencontro em 2007-2008 e 2019, Mel foi jurada do X-Factor australiano e continua sendo jurada no America’s Got Talent. Ela tem três filhas: Phoenix, de 27 anos, com seu primeiro marido, Jimmy Gulzar; Angel, de 19, com a estrela de Hollywood Eddie Murphy; e Madison, de 14 anos, com seu segundo marido, Stephen Belafonte. Atualmente, ela mora em uma casa de campo nos arredores de Leeds com seu terceiro marido, Rory McPhee.

MELHOR LEMBRANÇA DA INFÂNCIA?
Cresci como uma criança mestiça de classe trabalhadora em Leeds, na década de 1970, mas minha vida girava em torno da família. Minha mãe — que é branca, loira e de olhos azuis — é uma de cinco irmãs, e meu pai era de Nevis, negro e lindo. Tenho dezenas de primos por parte de mãe em Leeds e, todos os anos, íamos acampar em Abersoch, no País de Gales. Era uma diversão à moda antiga: cozinhávamos ao ar livre, havia muita música, passávamos os dias brincando na praia e comendo fish and chips (peixe com fritas).

MELHOR DIA DA SUA VIDA?
Tive a sorte de viver muitos dias incríveis, e poucas coisas superam estar no palco ao lado das suas melhores amigas, com centenas ou milhares de pessoas cantando suas músicas. Ou dar à luz três filhos lindos. Mas, à medida que envelheço, considero que dias ótimos são aqueles em que estou em casa com meus cachorros e animais na minha fazenda. Caminhar pela minha floresta ou alimentar minhas cabras, galinhas e patos é a perfeição para mim. Adoro a simplicidade e a paz disso. No entanto, meu “melhor dia” mais recente foi o dia do meu casamento no Marrocos, em agosto passado. Alugamos um hotel inteiro para o fim de semana e todas as pessoas que amo estavam lá. Usei um vestido lindo, desenhado especialmente para mim — com muita participação minha —, e as palavras que meu marido escreveu em seus votos ainda me emocionam até as lágrimas. O fim de semana inteiro foi mágico, do começo ao fim.

MELHOR MOMENTO COM AS SPICE GIRLS?
Ou conhecer Nelson Mandela, ou tocar no Wembley, ou passar um dia com Harry e William. Eles eram príncipes jovens e nós preparamos sanduíches de pasta de amendoim e geleia para eles no Palácio de Kensington. Eram crianças tão fofas — não me lembro se foi William ou Harry quem teve uma paixonite pela Emma, ​​mas eles eram tão educados, encantadores e lindos. A última vez que vi o Príncipe William foi quando ele estava prendendo a medalha da MBE no meu peito; eu usava um vestido que a Victoria tinha feito para mim, que era um pouquinho revelador exatamente no lugar onde ele prendeu a medalha. A Victoria sabia exatamente o que estava fazendo quando o desenhou para mim.

MELHOR TRAÇO DE PERSONALIDADE?
Sou muito honesta, o que nem sempre joga a meu favor, porque simplesmente digo o que penso e falo a verdade nua e crua. Depois do meu casamento de 10 anos, marcado por abuso emocional [Brown foi casada com o produtor de cinema americano Stephen Belafonte de 2007 a 2017; ele nega as alegações de abuso], escrevi meu livro, Brutally Honest. Muitas editoras o recusaram porque fui muito honesta sobre o que havia passado, e muitas delas disseram não achar que o tema abuso fosse algo sobre o qual as pessoas gostariam de ler. Achei que isso poderia arruinar minha carreira, mas ainda assim queria contar a minha verdade. Quando finalmente foi publicado por uma editora pequena, esgotou em poucos dias.

MELHOR CONSELHO QUE VOCÊ JÁ RECEBEU?
Meu pai sempre me dizia para lembrar quem eu sou e de onde vim. Ele trabalhou todos os dias de sua vida como soldador de cobre; Ele ia trabalhar de bicicleta, faça chuva, sol ou neve, e nunca faltou um dia sequer antes de falecer, em 2017. Ele nunca esqueceu quem era. Sinto falta do meu pai todos os dias e fiz uma promessa a ele, em seu leito de morte, de que finalmente deixaria meu segundo marido.

OS PIORES MOMENTOS

PIOR LEMBRANÇA DA INFÂNCIA?
Ser perseguida na volta da escola e ouvir ofensas como “pele vermelha” e outras palavras que não vou repetir. Eram os anos 1970 e não havia muitas crianças com a cor da minha pele em Leeds. Meu pai me ensinou a correr — e correr rápido.

PIOR MOMENTO DA SUA VIDA?
Quando escrevi Brutally Honest, percebi quantos momentos terríveis vivi durante meu casamento emocionalmente abusivo. Foi muito difícil pensar em quão fundo eu havia chegado — tão fundo que tentei acabar com tudo em 2014. Foi difícil pensar no que minha família passou, no quanto eu havia tentado bloquear da memória e em como eu tinha me perdido completamente. Passei do Girl Power (poder feminino) para a total impotência.

PIOR MOMENTO COM AS SPICE GIRLS?
Descobrir que a Geri tinha nos deixado, em 29 de maio de 1998. Era o meu aniversário. Todas nós já conversamos sobre isso depois, e eu entendo o motivo, mas, na época, foi devastador porque eu simplesmente não sabia por que ela tinha feito aquilo.

A PIOR COISA DE FAZER 50 ANOS?
O fato de as pessoas falarem sobre isso como se a sua vida tivesse acabado. Não acabou. Tenho muito orgulho de ter 51 anos. É apenas o começo de um capítulo diferente. Acredito firmemente que a vida melhora. Com a idade vêm a experiência e a sabedoria, e você se importa muito menos com o que os outros pensam.

A PIOR COISA QUE JÁ DISSERAM A VOCÊ?
Quanto tempo você tem? Já disseram tantas coisas horríveis sobre mim, mas você só precisa confiar e acreditar que as pessoas que realmente a conhecem sabem a verdade. Quem se importa com o que dizem na internet ou nos comentários?

O PIOR TRAÇO DE PERSONALIDADE?
Tenho TDAH, então não tenho noção de tempo. Só fui diagnosticada com TDAH e também com dislexia depois dos 40 anos, e gostaria de ter sabido disso quando estava na escola. Agora entendo que meu cérebro funciona de forma diferente em muitos níveis — inclusive em relação à noção de tempo. Se alguém diz: “Precisamos sair em 30 minutos”, eu acho que dá para tomar banho, assistir ao final de uma série na Netflix, cuidar do meu cachorro e fazer um pouco de meditação. As pessoas que me conhecem agora entendem que precisam ir me lembrando gentilmente de agilizar as coisas (mas, secretamente, eu até gosto de não ter noção de tempo).

A PIOR DECEPÇÃO?
O fato de a justiça caminhar muito lentamente. Quando comecei a falar sobre abuso e violência doméstica, lá em 2018, fiquei chocada ao perceber que estava causando impacto. Saí da escola aos 16 anos com poucas qualificações acadêmicas e, de repente, havia políticos, advogados e pessoas brilhantes me levando a sério. Fui à Downing Street, nº 10, para ajudar a aconselhar sobre um projeto de lei de assistência financeira para sobreviventes e, quando Keir Starmer fez seu primeiro discurso no Parlamento como primeiro-ministro, ele me citou nominalmente como ativista. Ainda há muito a ser feito. As varas de família e todo o sistema judiciário precisam passar por uma grande mudança. É desolador ver que tudo isso é tão lento.

O PIOR CONSELHO QUE VOCÊ JÁ RECEBEU?
Meu orientador vocacional na escola disse que eu precisava arranjar um emprego de verdade.

A PIOR DECISÃO QUE VOCÊ JÁ TOMOU?
Dizer “sim” ao homem errado.

Entrevista de Nick McGrath