Discover Brighton: Melanie C fala sobre o novo álbum, “SWEAT”, antes de sua apresentação como DJ no Brighton Pride

Ano: 2026

Conversamos com Melanie C — uma artista que dispensa apresentações — sobre seu novo álbum, “SWEAT”, antes de sua próxima apresentação como DJ no evento “Pride on the Park”, em Brighton.

Melanie C parece cansada ao iniciar nossa entrevista, mas é aquele tipo de exaustão que surge de fazer muitas coisas em muitos lugares, e não algo próximo de um esgotamento (burnout). Nova York é a parada mais recente de uma maratona intensa que a levou das gravações do “The Voice” na Austrália de volta a Los Angeles para trabalhos de divulgação, passando pelo Coachella para um fim de semana de imersão musical.

Há a sensação de que, mentalmente, ela ainda está dividida entre o movimento da viagem e o retorno para casa. “Foi uma verdadeira correria”, diz ela, sorrindo enquanto tenta recapitular tudo. No entanto, a empolgação supera o cansaço quando a conversa gira em torno do que ela viu pelo caminho. O Coachella, em particular, deixou sua marca.

“Shows incríveis”, diz ela, quase sobrecarregada pela lista que tenta recordar. Disclosure, Labrinth, Iggy Pop. Também os grandes momentos do pop — Sabrina Carpenter, Justin Timberlake. E então, uma descoberta: Karol G, que encerrou uma das noites com uma apresentação que, para Melanie, soou como uma declaração de força. “A energia era muito, muito boa”, diz ela. “E estou sendo apresentada a novos artistas o tempo todo agora.”

Mas, se essa sequência de viagens foi caótica, ela também está alimentando diretamente o que vem a seguir: seu novo álbum, *SWEAT*, um disco enraizado no movimento, tanto literal quanto emocional. O tom de sua voz muda quando ela fala sobre isso. Não se trata apenas de um novo ciclo de álbum, mas de algo mais próximo de uma reconexão com uma versão anterior de si mesma.

Ela explica que, na última década, atuar como DJ reformulou completamente sua relação com a música. Tocar em festivais, clubes e realizar longas residências em Ibiza — especialmente no Pacha — a reapresentou àquela liberdade de pista de dança que ela conheceu pela primeira vez na adolescência.

“Descobri as *raves* quando tinha cerca de 17 anos”, diz ela, deixando o pensamento voltar à Espanha e às noites de férias que mudaram algo fundamental nela. Ao retornar a Londres, ela e suas amigas saíram em busca daquilo novamente. “Pensamos: ‘Certo, precisamos encontrar a nossa turma’.”

É uma lembrança que contrasta com o início de sua carreira no pop. Tendo crescido no Reino Unido nos anos 80, ela se recorda de casas noturnas que pareciam muito distantes daquela energia eufórica e sem limites que acabara de descobrir no exterior. Então vieram as Spice Girls, e tudo se acelerou. Identidade, rotina, ambição: tudo se intensificou em um ritmo implacável.

“Eu quase tinha deixado aquela parte de mim para trás. A amante da música dance, a *raver*, a adolescente que encontrou a liberdade pela primeira vez numa pista de dança.”
*SWEAT* é a sua tentativa de trazer essa versão de si mesma de volta ao presente. Desta vez, ela conta, o processo foi moldado menos como um álbum pop tradicional e mais como um set de DJ. O movimento em primeiro lugar. A energia em primeiro lugar. A emoção construída em torno do ritmo, e não o contrário. “Eu tinha muita consciência de que sou muito diferente no estúdio em comparação ao palco”, diz ela. “Mas eu queria que a minha versão de estúdio combinasse com a artista que se apresenta ao vivo.”

Essa artista continua sendo, inconfundivelmente, a Sporty Spice — algo que ela abraça sem hesitação. A fisicalidade, a energia, a atitude. Tudo isso faz parte do DNA do disco. A faixa de abertura, “Sweat”, aposta diretamente nessa ideia. Divertida, física e levemente irônica, ela dita o tom de um projeto feito para corpos em movimento, e não para uma audição passiva. Ao imaginar o disco agora, ela não pensa em fones de ouvido ou salas de estar. Pensa em pistas de dança, academias e quartos antes de uma saída à noite. É algo coletivo.

Uma faixa em particular, “Undefeated Champion”, tornou-se uma âncora pessoal. “É impossível não sorrir quando a ouço”, diz ela. É uma música de automotivação, algo para levantar o ânimo quando as coisas pesam ou quando o dia simplesmente se torna pesado demais.

Essa energia culmina em uma série de grandes apresentações como atração principal, incluindo a Brighton Pride em agosto e, em outubro, passagens por alguns dos palcos mais queridos do Reino Unido e da Irlanda. “Fico muito emocionada com isso”, diz ela, de forma simples. Três décadas após sua estreia com as Spice Girls e com mais de 25 anos de carreira solo, ela continua conquistando feitos inéditos e se conectando com todas as suas diferentes versões.