Como frase de Victoria Beckham ajudou a popularizar o termo “WAGs”
Antes de virar um termo conhecido na imprensa internacional, WAGs era apenas uma sigla em inglês para wives and girlfriends, esposas e namoradas de jogadores. A expressão já circulava na imprensa britânica no início dos anos 2000, mas explodiu durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, quando as parceiras da seleção inglesa passaram a ser acompanhadas quase como personagens de um reality show fora dos gramados.
Naquele Mundial, a seleção inglesa ficou concentrada em Baden-Baden, mas a atenção dos tabloides não estava apenas nos treinos e nos jogos. Saídas para compras, looks, hotéis, restaurantes e bastidores das esposas e namoradas dos jogadores passaram a render manchetes diárias. O que antes era presença familiar virou espetáculo paralelo ao futebol.
Victoria Beckham acabou se tornando o rosto mais conhecido dessa era. Já famosa como integrante das Spice Girls e casada com David Beckham, então capitão da Inglaterra, ela virou alvo constante da imprensa durante a Copa de 2006. Foi nesse contexto que uma reclamação atribuída a ela ganhou força nos tabloides: “um cachorro recebe tratamento melhor”. A frase, dita após um atraso em um voo fretado, ajudou a alimentar a imagem de luxo, exigência e polêmica que passou a cercar as WAGs.
Para o jornalista e especialista em branding digital Cacau Oliver, o fenômeno não surgiu por acaso. “O futebol nunca vendeu apenas o jogo. Ele sempre vendeu estilo de vida, desejo e consumo. Com as WAGs, as esposas dos jogadores deixaram de ser presença nas arquibancadas e passaram a gerar manchete, moda, comportamento e audiência própria”, analisa.
A partir dali, WAGs deixou de ser apenas uma descrição e virou uma categoria midiática. A sigla passou a misturar glamour, consumo, rivalidade, exposição e julgamento. Mesmo quando muitas dessas mulheres já tinham carreira, fama ou negócios próprios, a imprensa passou a enquadrá-las principalmente pela relação com os jogadores.
Na Copa de 2026, não é diferente. Georgina Rodríguez, companheira de Cristiano Ronaldo, chega ao torneio como estrela de reality, empresária e presença constante na moda internacional. Antonela Roccuzzo, mulher de Lionel Messi, também aparece nesse mapa de atenção por transformar bastidores familiares e aparições públicas em cenas de grande repercussão nas redes. No Brasil, Bruna Biancardi também surge nesse novo recorte, em que a vida fora de campo virou parte do consumo global da Copa.
apenas uma curiosidade dos tabloides britânicos.
“Hoje, essas mulheres não aparecem apenas porque estão ao lado de grandes jogadores. Elas têm audiência, posicionamento, marcas e influência própria. A Copa amplia tudo isso porque transforma cada imagem, cada aparição e cada bastidor em conteúdo global. O futebol moderno também é disputado fora de campo, na imagem, na narrativa e na atenção do público”, conclui.










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