Pof
Eu congelei. Todo músculo no meu corpo ficou tenso. Um vaso veio voando. Como em um filme ruim, eu assistia ele rodar pela sala em câmera lenta.


Crash.
Ele se espatifou no chão da suíte do hotel. Pedacinhos de vidro espalhados no chão de madeira polido. Eu não conseguia acreditar que isto estava acontecendo.
“Vai se f****, Melanie!”


Eram 4 horas da manhã.
O resto do hotel estava dormindo e em silêncio, aumentando o estouro ensurdecedor de sons que vinham de nosso quarto.
“Não grite”, eu sussurrei, “Por favor!”
Mas a situação tinha criado vida própria. Os gritos ficaram mais altos, os palavrões mais agressivos. Eu me sentia sem ajuda, presa em um pesadelo nervoso e incontrolável.
“Pare”, eu implorei, “Para com isso agora!”


Grandes lágrimas caíram dos meus olhos, ofuscando minha visão. Elas escorreram por minhas bochechas e cobriram meu rosto e lábios.
“Por favor, vá para casa, Jim, só vá embora!”, eu choraminguei, “Eu preciso de um tempo. Não posso trabalhar sob esse tipo de pressão.”


“Por que eu deveria ir?”, berrou Jim. “Eu tenho o direito de ficar. Sou seu marido e não vou a lugar nenhum.”
Enquanto eu abaixei minha cabeça em desespero, minha mente tinha flashes do dia de nosso casamento, menos de um ano antes. Neste dia eu tive tanta certeza do que estava fazendo, tão feliz, tão apaixonada. Eu não tinha duvidas de q Jim era o cara certo, o homem com quem eu queria passar o resto da minha vida junto, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Agora eu não podia suportar ficar com ele mais um segundo. Tudo q ele parecia fazer era me criticar, dia sim, dia não. Nada q eu fazia estava certo e nossas constantes discussões inevitavelmente evoluíram para brigas enormes porque eu simplesmente não podia evitar contra-atacar as críticas dele. E agora eu sentia como se tivesse chegado no limite. Eu não podia agüentar mais. Eu precisava de um tempo longe do Jim antes q eu enlouquecesse. Mas ele não entendia isso.
“Eu não vou embora!”, ele gritou de novo.


Eu olhei pra cima e pros olhos de Jim, que estavam em chamas com – o que era? Fúria? Ódio? De repente eu achei difícil respirar, comecei a engasgar por ar, pânico se espalhando pelo meu corpo, o quarto pareceu pequeno, eu tenho que sair dali, pra longe dele. Agora.
Eu avancei para a porta. Ir embora dos gritos. Ir embora daqui.
Jim me alcançou, bloqueando o caminho, músculos tensos.


“Me deixa sair”, implorei em voz baixa.
“Nem pense nisso!”, ele berrou.
No meu estado estressado parecia q o rosto dele estava contorcido, escuro de raiva; uma veia saltando nas têmporas. Comecei a ficar muito assustada. Eu mal reconhecia esse homem. Pensando nisso, eu algum dia o conheci?


“Por favor, não grita”, eu repeti suavemente, como um mantra. Quanto mais eu o dizia, mais ele se elevava. “Por favor não grita, por favor não grita, por favor não grita, por favor não...”
Mas só continuava. Meu cérebro estava tumultuado e desconectado. Longe no fundo achei que podia ouvir um telefone tocar. Instintivamente andei em direção ao barulho.
“Não atenda”, ordenou Jim.


Eu peguei o aparelho.
“Alô?”, eu grasnei, meu peito pesado. A linha falhava. Longa distância.
“Feliz aniversário, Melanie! Você está acordada até tarde! Está se divertindo?”
“Mãe, eu te ligo depois.”
“O que foi? O que há de errado?”
“Eu disse que te ligo depois, mãe.”
Coloquei no gancho. Com a cabeça inclinando, eu sentei no chão, tentando limpar minha mente e tentar arrumar sentido na situação. Feliz aniversário, eu pensei. Ah sim, claro.

29 de Maio, 1999, meu aniversário de 24 anos. Nós estávamos em Minneapolis, onde eu trabalhava no meu álbum solo com Jimmy Jam e Terry Lewis, o time de produção mais famoso por seu trabalho com Janet Jackson. Jim não queria que eu fosse sem ele. Na noite anterior, eu deveria ir embora de lá, mas houve uma cena em que eu acabei soluçando a noite toda em um dos outros quartos.
Ele deduziu q eu não iria até que acertássemos as coisas, mas eu não podia cancelar. Você não pode sacanear pessoas como Jam e Lewis.


Eu não queria Jim na América comigo porque eu sabia que ele ia me botar pra baixo. Não nos dávamos bem há muito tempo e eu estava sugada por todas as brigas e tensões. Eu precisava de um tempo. Eu também precisava estar em ótima forma para gravar. Por outro lado eu sabia q eu ficaria muito mal se eu fosse embora sem resolvermos as coisas entre a gente.


Eu não havia estado separada dele uma noite desde que nos casamos e eu sentiria falta dele, apesar de tudo. Afinal, resolvi seguir meus planos.
No dia seguinte voei de Heathrow com minha assistente pessoal Julie Cooke. Coitada da Jules. Ela logo foi pega no meio de um inferno doméstico, sem lugar para correr além da segurança de sua suíte de hotel.
No momento que partimos foi estranho – na verdade horrível – ficar longe do Jim. A dor da separação era definitivamente física e também emocional. Eu não sabia quanto tempo ia agüentar.


Quatro dias depois eu desmoronei. Eu estava louca para enfrentar nossos problemas e fazer as coisas darem certo de novo, além de eu não agüentar pensar em passar meu aniversário sozinha. Então eu agendei um vôo para o Jim vir.


Até esse momento as coisas iam suaves no trabalho. Após 3 dias produtivos no estúdio de Virgínia do produtor de R&B Teddy Riley, eu voei para Minneapolis onde Jam e Lewis estavam. Eles foram ótimos para trabalhar. Jimmy Jam, um cara gordo com óculos e rabo de cavalo, era amigável e parecia muito esperto. Terry Lewis era um pouco mais “old school” – um tipo suave e limpo com ternos legais e um rosto fofo. Ambos eram simpáticos, mas Jimmy era bem mais falante. Ele fala com todo mundo.


Eu me joguei no trabalho, esperando q isto tirasse minha cabeça do que havia em casa. Obviamente que eu não ia abrir minha vida privada para pessoas que eu mal conhecia e numa maneira engraçada era um alívio esconder meus sentimentos atrás dessa máscara profissional. Eu trabalhei principalmente com Jimmy Jam no estúdio e numa ocasião ele me deixou sozinha para escrever. Nós gravamos 2 músicas juntos, “Feels so good”, que acabou sendo meu segundo single do álbum, e “Feel me now”, a música final.


Quando cheguei no estúdio, minha primeira pergunta foi: “Vocês trocam o microfone regularmente?”
“Não, nós usamos o mesmo todas às vezes.”, disse Jimmy.
Glup. “Isso quer dizer que Janet Jackson usou esse microfone?”
“Sim. E às vezes a gente diminuía a luz e colocava velas e ela ficava em pé ou sentava ou deitava em qualquer posição q ela se sentisse confortável.”
“Ok.”, eu disse. “Pode acender umas velas agora, porque eu quero deitar como Janet!” Eu acabei sentada na cadeira de massagem da Janet toda tarde, só para relaxar e me concentrar.


No dia seguinte nós bebemos um pouco de vinho e passamos horas conversando antes de eu gravar os vocais de “Feel me now”, que é uma faixa meio sexy. Fizemos o refrão e a ponte, que eram cantados, mas eu ainda não tinha feito os versos. Eles eram falados.


“O que vier na sua cabeça, deixe sair”, disse Jimmy Jam, “Nós não podemos ver o que você faz aí, Melanie, então o que for necessário para fazer você falar daquela forma, faça.”, ele acrescentou.
“Você quer dizer, brincar comigo mesma?”, perguntei.
Ele não respondeu, só riu.

Jim chegou três dias antes do meu aniversário. Parecia uma boa idéia ele voar, mas infelizmente não aconteceu assim. No momento que eu bati os olhos nele, eu queria que ele fosse embora. Nós estávamos discutindo em minutos. Percebi que estava mais feliz quando ele não estava perto. Instantaneamente, percebi que tinha sido um erro ele vir, aniversário ou não aniversário. Eu sempre acho aniversários não exatamente depressivos, mas tem muita pressão em você para acordar e ser feliz. E você não está sempre feliz. Bem, eu não estou. Eu certamente não estava feliz nesse aniversário.


A briga no hotel de Minneapolis foi uma das piores. No dia seguinte eu estava sendo filmada para um documentário para Produções Flava (para aparecer no canal 4). Enquanto eu conversava sorrindo para câmera sobre minha vida e carreira, eu pensei se alguém da equipe podia perceber o q realmente passava pela minha cabeça. O horror do dia anterior se repetia em minha mente, além de muitas perguntas que eu simplesmente não conseguia responder. Como eu cheguei aqui? Como isso aconteceu? Eu posso continuar fingindo? Preciso de um ombro para choras, mas estou muito assustada para me abrir – o que minha família e amigos vão pensar?


Quando eu era adolescente eu costumava discutir com amigas o que eu faria se estivesse num relacionamento infeliz. “Eu não ia ficar nele!”, eu sempre disse. Então de repente você está loucamente apaixonada por um cara num casamento ruim pensando: O que diabos está acontecendo?


Durante os 5 dias que Jim estava comigo, meu horário foi totalmente destruído. Eu tive que cancelar um dia inteiro de filmagens e estava constantemente remarcando minha hora no estúdio. As coisas estavam tão ruins entre nós que meu trabalho estava começando a sofrer bastante.


Levei anos para persuadi-lo a ir. Eu agendava um vôo, nós brigávamos, então ele ligava para o agente de viagem e cancelava. Eu marcava outro vôo, nós brigávamos, ele cancelava de novo. Eu estava ansiosa por horas sem fim, pensando se dessa vez ele realmente ia. Enquanto Jim estava perto, eu não conseguia concentrar no trabalho. A constante desavença entre nós era exaustiva.


Uns 2 dias depois do meu aniversário, ele finalmente arrumou as malas, graças a Deus. Sem contar a ele, fiz minha mãe voar para Minneapolis no dia q ele foi embora. Jules estava apreensiva q ele a encontrasse no aeroporto, mas por sorte não.


Foi um alívio vê-lo ir. Agora eu podia relaxar.
Minha próxima parada era Los Angeles, para filmar um segundo clipe para meu single “Word up” (presente na trilha sonora do Cult “Austin Powers, o agende bond cama”).


Eu tinha dado a Jim o trabalho de dirigir o clipe original. O resultado final foi um incrível pedaço de animação, mas o clipe era muito louco para os americanos, então eu fui aconselhado a fazer algo mais mainstream para o mercado dos EUA. O segundo clipe foi dirigido por Matthew Williamson e teve a participação do Mini Me, o anão cômico e malvado do filme.


Matthew Williamson insistiu que eu fizesse uma limpeza de pele no dia da filmagem. Bem, eu realmente tinha acne horrível na época, um sinal claro de stress. (sempre que fico estressada, aparece na minha pele. É uma das formas que meu corpo me diz que as coisas não estão bem) Eu tinha bolhas de pus em todo meu rosto e podia sentir cada uma delas quando falava ou sorria.


Então fui ver uma famosa terapeuta de beleza, que tinha clientes como Halle Berry e Vanessa Williams. Ela me deu 16 injeções no rosto para diminuir o inchaço. Isto diz bastante de como meu rosto – e minha mente – estava.


Eu estava muito vulnerável na época. Alguém podia falar algo trivial para mim, como “Oh meu Deus, olhe seus sapatos!” e eu levar super a sério, mesmo sendo super fora do normal isso para mim. Estar num relacionamento ruim pode fazer isso com você. Pode levar sua confiança, sua auto-estima e te fazer se sentir miserável.
Eu ainda tinha um pouquinho da barriga de grávida e me sentia insegura com meu corpo. A estilista do clipe tinha feito o clipe do TLC, “Unpretty”, (a música que toca no final de “Monólogos da Vagina”, a peça que apareci em Março de 2002) então eu estava animada de trabalhar com ela. Entretanto, eu estava muito encucada sobre minha aparência e insisti em vestir um corset embaixo da roupa.
Quando ela veio me medir para a colant de gato prateado apertado q eu planejava usar, ela tentou me confortar.


“O que há de errado com você? Você está fantástica! Você não precisa de um corset!”

Eu não acreditei nela. Me sentia feia e fora de forma.
Foi a primeira vez que me senti assim. Normalmente não ligo muito pra minha aparência. Eu só visto qualquer coisa. Geralmente sou uma garota “tomei banho e saí”, mas ali eu não tinha a menor confiança – principalmente, eu acho, porque Jim vivia me criticando. Ele fazia pequenos comentários de como eu me vestia, como falava, o que eu tinha dito e feito, numa forma sutil que se provou ser mais devastadora que a crítica “na cara”.


Eu estava um pouco envergonhada porque quando você trabalha com alguém e admira as pessoas com quem ela já trabalhou, a última coisa que você quer é q eles saiam dizendo: “Aquela Melanie B é muito insegura com o corpo dela!” Do mesmo jeito, eu tinha q usar o corset. Ninguém me fazia mudar de idéia.


Era muito desorientador me pegar pensando dessa forma. O que tinha acontecido com Melanie Brown, a garota durona de Leeds que não se importava com nada que ninguém pensasse dela? Eu tentei não pensar nisso. Eu não podia admitir o quanto eu tinha mudado, virado um caco inseguro sem auto-confiança ou ato-estima. Eu não podia encarar a realidade, então eu só abaixava a cabeça e continuava, como sempre.
Uns dias depois Melanie C e eu fomos à estréia de Austin Powers. Ela estava em LA terminando o álbum dela e era realmente ótimo vê-la. Nós fizemos nossa maquiagem no flat que ela estava alugando e nós 2 decidimos usar mini saias e botas grandes. Eu também usei um top transparente bege q dizia “A vida é dor”.


Eu não via Mel há uns meses e não nos falávamos há séculos, então as 2 se sentiram um pouco estranhas no início. Depois de 5 anos vivendo sempre juntas, não estávamos acostumadas a ficar separadas. De repente me peguei em LA no flat dela me arrumando para uma estréia com ela como “2 das Spice Girls”, não apenas 2 amigas se encontrando numa tarde. De uma maneira eu desejei que tivéssemos ficado em casa e visto um vídeo.
A estréia foi enorme e tinham dançarinos de salsa, travestis, e atos de carnaval antes do filme. Tínhamos que andar um longo e grosso tapete vermelho cheio de fotógrafos e fãs, posando para fotos e dando autógrafos. As fotos de Melanie e eu apareceram na primeira página em mais de um país.


Mel estava na cena de LA há um tempo e conhecia muita gente na estréia. Eu não e só queria ficar com a minha amiga. Ela obviamente não percebeu isso porque antes do filme começar, ela disse casualmente “Eu vou sentar ali, ok? Já te vejo” e foi se juntar a umas pessoas que ela conhecia algumas fileiras atrás. Antes que eu percebesse eu estava sentada com um lugar vazio do meu lado, me sentindo muito sozinha e triste por mim mesma. Ridiculamente super sensível, eu sei.


Mais tarde naquele dia, no hotel Four Seasons, eu deitei na minha cama e solucei. Por que estou tão facilmente chateada por tudo? Por que me sinto tão sem valor? Parecia incrível que alguém que tinha passado tantos anos falando de Girl Power podia se achar numa situação tão sem poder. Eu gritava pro mundo todo: Defenda você mesma! Não aceite merda! Nunca deixe ele te dizer o que fazer! Mas eu parecia não fazer o que pregava. Deitei tentando resolver tudo, pensando em tudo que tinha acontecido com Jim.


Eu estava acostumada a deitar na cama de noite me preocupando com o que havia dado errado na minha relação. Geralmente eu pensava formas de me culpar. Pelo menos se fosse minha culpa, eu poderia achar maneiras de consertar.


Eu estava incrivelmente deprimida. As coisas estavam tão ruins que eu estava começando a perder esperanças em encontrar solução pros problemas. Eu gastei meu cérebro por respostas. Eu me revirei, chorando sem parar, rezando por ajuda. O travesseiro estava ensopado de lágrimas. Meus olhos ficaram inchados e senti que minha infecção da vista ia começar novamente.


Então, como dez mil pensamentos torturantes vieram na minha cabeça, na meia luz da minha suíte de hotel comecei a fazer perguntas que eu nunca tinha perguntado antes.

“Espere um minuto.” Por tanto tempo eu tentei me moldar numa pessoa que pensei que Jim quisesse q eu fosse, q talvez eu tenha perdido o principal. Um pensamento apareceu em minha cabeça. “E se...?” Devagar ele acendeu como uma luz. “E se não for eu...?”


Então de repente explodiu num flash de inspirações. “Espere um minuto! Não é meu problema no fim das contas!”


Minha mente começou a correr. Você só pode culpar você mesmo até um certo ponto em que pensa: Bem, na verdade, NÃO sou eu! Quando você se sente criticada dia sim, dia não, você aceita até o ponto que pensa: Bem, na verdade, o que você está dizendo sobre mim não é verdade!


No momento que percebi isso, as coisas começaram a mudar. Sentei cuidadosamente reta na cama e comecei a pensar. Minha mente tinha uma clareza que não tinha há meses, talvez anos. Eu não estava enlouquecendo, graças a Deus. (isso passava muitas vezes por minha cabeça) A verdade era bem mais simples. Eu era casada com alguém que não parecia me amar nem mesmo gostar de mim. Era óbvio porque eu estava infeliz. Meus sensos centrais de identidade e moralidade começaram a contra-atacar e daquele momento em diante comecei a me construir novamente, bem gradualmente.


Por séculos eu tive muito medo de encarar o que estava acontecendo com meu casamento e fechei meu eu interior. Eu estava tão pra baixo que não dava mais pra descer, além de tentar me elevar, e eu não faria isso porque eu tinha bebê para viver por ele. Essa noite no Four Seasons eu comecei a reconstruir meu verdadeiro eu e minha confiança.

Era hora de lutar por mim e pelo que eu acreditava, como eu vinha fazendo há anos com as pessoas.
Olhando pra trás agora, eu percebo q estar com o Jim me ensinou muita coisa e de uma maneira eu tenho que agradecer a ele por isso. Eu me permiti chegar ao ponto que tive que me redescobrir, especialmente minhas más e fracas qualidades, que trouxe uma força positiva em mim e me fez mais forte do que eu jamais tinha sido.
Eu voei pra casa no meio de junho. Meu coração afundou quando entrei em casa, apesar q tive que rir do novo capacho q minha mãe tinha me mandado de presente. Em grandes e escuras letras pretas dizia: MERDA ACONTECE. Ainda está aqui hoje, do lado de fora da minha porta.


Como sempre, Jim estava na sala de TV. Me senti puxada pra baixo quando senti a presença dele na casa. Não queria vê-lo, não queria olhá-lo nos olhos. Eu andei suavemente a cozinha e liguei a chaleira. Quando estava prestes a ferver, ouvi passos atrás de mim.
“Melanie”, disse Jim.
“Olá”
“O que há de errado?”, ele perguntou.
Eu respirei fundo.
“Eu quero o divórcio.”, eu disse asperamente.


Realmente não era a primeira vez que eu dizia isso. A diferença era que dessa vez eu estava falando sério.
Dizem que quando uma relação acaba, precisam de 2 para reconstruí-la. Mas nesse caso 1 e 1 não se somavam.

 

 Não havia “2” entre Jim e eu. Vivíamos vidas separadas. Não nos conectávamos. Tinha acabado.
Brigas, frieza, insegurança, tristeza. Como chegou a tudo isso?